Uma degustação guiada por Pedro Carvalho

Oi gente, tudo bem? 

A Casa do Porto nos convidou para uma nova degustação de vinhos e o Fernando e o Aluísio foram nos representar… Eles gostaram muito, e abaixo vocês vão conferir todas as informações com o texto do Aluizio e as fotos do Fernando!

Aproveitem: 

Há alguns anos jornais deram a notícia de que vinicultores franceses estavam preocupados com o crescente domínio chinês sobre as tradicionais vinícolas do país europeu. Os chineses não queriam apenas comprar vinhos, queriam também comprar as propriedades e controlar a produção. Não duvido da capacidade de gestão dos chineses, contudo um dos herdeiros de uma vinícola cujo nome agora nos escapa disse algo difícil de esquecer: “não é apenas um negócio. É sobretudo uma paixão cultivada ao longo de vários anos”. Desde então, ficou-nos ainda mais claro que o bom vinho é uma bebida em que se sente não apenas a boa execução de sua proposta, mas também o feeling de quem o produz. Um vinho de qualidade é uma espécie de convite à intimidade de quem o concebe.

Quando o Coisas de Mineiro foi convidado para a degustação da linha Pedro Carvalho, encaramos o convite não apenas como uma chance de conhecer novos rótulos, mas de sermos guiados pelo próprio Pedro Carvalho, que lá estaria para apresentar seu produto. A linha pertence à vinícola portuguesa Casa de Santa Eufémia, fundada na última década do século XIX, e foi desenvolvida especialmente para o Brasil e Carvalho representa a quarta geração da família fundadora. Todos os produtos da Casa são produzidos na região do Douro, que é a mais antiga demarcação do mundo específica para a produção de vinhos. A degustação ocorreu na aconchegante Casa do Porto, referência já consolidada na importação e comércio de vinhos. Éramos mais ou menos 20 pessoas de vários blogs e sites reunidas em um ambiente repleto de rótulos do mundo todo e de mapas que detalham as várias regiões produtoras.

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A cozinha do restaurante Trindade se encarregou da comida. De entrada, tivemos uma ótima porção de coxinha de rabada. O prato principal foi um arroz de lagosta delicioso na apresentação e no sabor. A sobremesa, por fim, foi o doce Curral Del Rey, feito com banana, doce de leite, sorvete e farofa de canela.

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Iniciamos com o Pedro Carvalho Branco 2013, que é uma bebida leve e de coloração dourada. A leveza do sabor torna-o ideal para acompanhar pratos como peixes e mariscos. E como Carvalho ressaltou, é preciso insistir na divulgação de brancos no Brasil, pois apesar de serem são muito refrescantes e combinarem com o clima tropical, eles são pouco consumidos por aqui. Este branco é notavelmente superior às opções mais comuns disponíveis e é uma ótima pedida para os amantes do tipo. O Pedro Carvalho Branco 2013 se propõe a ser um vinho que, além de combinar com o nosso clima, satisfaz o gosto brasileiro, que é por sabores de matiz mais frutado. É bem sucedido nas duas tarefas.

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Logo depois, conhecemos o tinto de mesa seco Matrice. Este já faz parte do catálogo geral da Casa de Santa Eufémia e não integra a linha feita especificamente para o Brasil. Matrice é um meio a meio entre uvas das regiões de Távora-Varosa e Velho Douro. As conhecidas notas de frutos vermelhos são sentidas em todos os cantos da boca. Como é típico de vinhos mais leves, os taninos não têm muito destaque. Não é, portanto, uma bebida que “puxa” a boca. Após degustá-lo várias vezes, concluímos que sua principal qualidade é o fato de nenhum elemento particular do sabor se destacar demais, o que torna Matrice bem equilibrado. Tanto o Pedro Carvalho Branco 2013 e quanto o Matrice harmonizaram muito bem com a coxinha. (Sim, descobrimos que um vinho branco se sai bem com algo feito de rabada!)

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De volta à linha, surpreendeu-nos positivamente o Pedro Carvalho Douro 2012. As castas utilizadas aqui são Touriga Nacional, Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Franca. Embora não seja forte, os taninos agora aparecem com mais destaque. É um tinto que certamente harmonizaria bem com carnes vermelhas como o filé mignon. Aliás, é difícil imaginar algo que cairia mal na companhia deste Douro. Os redatores recomendam o Pedro Carvalho 2012 tanto para dias de carne quanto para dias de massa. Dos apresentados, é o mais versátil, pois combinou perfeitamente com o arroz de lagosta e até mesmo com uma coxinha remanescente, que por algum motivo permanecera intocada no prato.

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Mais ao final, foi-nos apresentado o Pedro Carvalho Reserva 2008. Este sem dúvida foi o mais encorpado que experimentamos. Ao tomá-lo com a devida calma, porém, era possível notar, mais uma vez, o sabor frutado. Mas ao contrário dos outros, os taninos aqui se sobressaem. Trata-se, portanto, de um vinho que consegue ser robusto e ao mesmo tempo se adequar à preferência brasileira. É comum que vinhos sejam demasiadamente frutados ou demasiadamente robustos. O Pedro Carvalho Reserva 2008 une o melhor dos dois mundos e harmonizou perfeitamente o arroz de lagosta do Restaurante Trindade. 

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Pedro Carvalho certamente preparara uma surpresa para o fim, pois o Curral Del Rey veio acompanhado dos vinhos do porto da Casa de Santa Eufémia nas variedades Tawny, Ruby e White. Vinhos desse tipo não passam pelo processo de fermentação completo, o que preserva boa parte do açúcar das uvas. Daí o sabor mais adocicado. Dentre os três, o destaque certamente é o White. Apesar de doce, não o é em demasia, o que faz com que seu sabor não brigue com o da sobremesa. Além disso, é um vinho do Porto branco. Pela expressão dos presentes, foi uma surpresa saber que nem todos os vinhos desse tipo são tintos.

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Fomos à Casa do Porto com a expectativa de experimentar vinhos feitos com a paixão de quem ama a bebida que produz. E é precisamente isso que a linha Pedro Carvalho oferece (e não somente a linha, pois o Matrice e os vinhos do Porto também impressionam). O enólogo que dá nome à marca é um aficionado pelo que faz e propõe ao público brasileiro rótulos de grande qualidade e que levam em consideração as características do paladar brasileiro. Os vinhos mencionados aqui podem ser encontrados na Casa do Porto e custam entre 55 e 149 reais.

Aluizio Couto.

Beijos e até a próxima, Isabela 🙂

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