Ipês, as árvores que colorem e alegram BH!

Que BH é uma cidade linda eu tenho certeza toda vez que passeio por suas ruas. Mas uma coisa é certa: quando ela está florida fica mais linda ainda…

Foi por isso que me apaixonei pela crônica do escritor Felipe Braga Netto, que fala de forma muito especial sobre os Ipês, árvores lindas que colorem e alegram a cidade durante o inverso.

Vou colocar o texto na íntegra por aqui para que possa conhecer e se apaixonar como eu me apaixonei!

Foto: Haroldo Kennedy no Flickr.

Ipês

“Estou abençoando a terra pela alegria do ipê.

Mesmo roxo, o ipê me transporta ao círculo da alegria,

onde encontro, dadivoso, o ipê-amarelo.

Este me dá as boas-vindas e apresenta:

– Aqui é o ipê-rosa.

Mais adiante, seu irmão, o ipê-branco”.

Drummond

Finalzinho de junho. Logo começa julho. Como fica bela a cidade! O frio combina com Belo Horizonte. Verdade que frio mesmo, daqueles de doer a alma, não temos aqui. O frio mineiro existe, é fato, mas é frio que não agride, pelo menos não os felizes cidadãos que possuem, nesse Brasil injusto, um cantinho pra morar.

As ruas ganham uma cor especial. São os ipês. Que árvores gentis! Gosto especialmente do contraste: seus galhos, tão magrinhos, pobres de verde, sem uma folhinha sequer… No entanto: quanta gentileza em suas flores, inesperadas e absurdas, no meio da secura cinza. Sou amigo particular das que ficam ali, próximas ao Palácio da Liberdade. Passeio, sem pressa nem destino, e delas recebo telegramas de simpatia. Retribuo desejando-lhes, às delicadas amigas vegetais, os meus melhores pensamentos.

Acho até que exageram. Sim, porque Belo Horizonte, de seu natural, já é poesia em forma de lugar. De maneira que os Ipês – colorindo no inverno a cidade – são uma overdose de poesia. É demais, murmuro baixinho. Vão crescer em outro lugar, num lugar inóspito e grosseiro, e assim contribuam para a igualdade estética do mundo. Belo Horizonte já é belíssima sem vocês.

Digo isso, coloridas amigas, de boca pra fora, vocês bem sabem. Que se dane a igualdade. Quero poesia perto de mim. Quanto mais, melhor. E aqui entre nós: Bel’zonte não é, nem jamais será, como aquelas peruas que não sabem se enfeitar. Que tudo misturam em exagero deplorável. Não. A cidade é sóbria e elegante, tem a discrição da beleza que não gosta de se exibir.

É fugaz a poesia dos ipês. Um espírito bruto diria que tudo que é bom dura pouco. Eu não digo outra coisa. Puxa, uma semaninha… É quanto dura sua florada: uma semana. E, curioso, as floradas não são simultâneas. Primeiro, temos a semana do roxo, depois a semana do amarelo. Não há uma singular beleza nessa delicada sucessão de cores?

O real valor das coisas simples… Que arte humana poderia, juntando cores, atingir esse despojamento sublime do amarelo, essa graça delicada do roxo? Soube até que existe o ipê branco (suprema nobreza): sua florada, raríssima, só dá o ar da graça um dia por ano.

Estamos na semana do roxo. Observo-os com alegria ingênua, como se os ipês existissem pra me confirmar verdades bonitas, verdades simples das quais andei esquecido.

A quem eu quero bem, mostro, orgulhoso, os ipês, como se fossem coisa minha. E quem disse que não são? São. São meus e são nossos, tudo bem? Gosto de pensar que eles querem nos lembrar da besteira que é desconfiar do sentido da caminhada – de como as coisas são certas e belas ainda que não pareçam ser. Algo assim, em forma de planta: tudo dá certo no final, se ainda não deu é que o final virá depois.

Felipe Braga Netto.

Muito lindo, né? O Felipe não é mineiro, mas ama Minas Gerais e tem várias histórias sobre a cidade. Inclusive, ele escreveu uma crônica linda sobre o sotaque mineiro, que eu já publiquei aqui no blog antes.

Essas crônicas (e muitas outras) fazem parte do seu livro As Coisas Simpáticas da Vida, que está esgotado há algum tempo, e será relançado esse ano, pela Editora Rodapé, uma editora aqui de Belo Horizonte.

Assim que a edição chegar nas livrarias eu vou avisar por aqui, afinal, nada melhor que apreciar trabalhos de qualidade, não é mesmo?

Beijos e até a próxima, Isabela!

6 comentários

  1. isso enquanto a cemig ou a prefeitura nao vem e corta as arvores ne
    aqui na sagrada familia foram 3 arvores cortadas na minha rua
    e a toa, pq elas estavam saudaveis

    isso o jornal nao mostra ne

    1. Que pena que isso está acontecendo Julio. A cidade fica linda com os Ipês…
      Aqui no blog eu posto tudo que me inspira em BH e em Minas Gerais, por isso quis compartilhar a crônica. Meu blog é vinculado ao Portal UAI, mas não sou do jornal, então não tenho como ajudar com denúncia e tal. Espero que entenda!
      Bjs, Isabela!

  2. Sebastião di Paula says: Responder

    Concordo plenamente, linda matéria, sempre que vou a BH, fico a observar as arvores que cobrem as ruas são lindas, só que ainda não fui nessa época da florada dos ipês. Minha cidade, Ipatinga, já teve um período de muitas arvores, mas hoje, por ordem da CEMIG e Prefeitura, estão destruindo esse patrimônio da população com podas drásticas.

    1. Eu também amo os Ipês, a cidade fica muito linda. Que pena saber que em Ipatinga não tem tantos, eu adoro a região. 🙂

  3. Parabéns pelo Blog. Muito sensível e poética a abordagem da matéria. Da beleza única dos ipês ou dos manacás, combinando com o lindo azul do céu de poucas nuvens, nesta estação, faz uma BH de belo horizonte… Aprecio um trecho da Av. Pedro II, altura do bairro Caiçara, onde há belíssimos exemplares do Ipê Rosa.

    1. Oi Robson, obrigada pelo carinho.
      Que bom que gostou do texto, amei quando li. E conheço esses Ipês da Predro II, são lindos mesmo!
      Bjs e volte sempre, Isabela!

Deixe uma resposta